O Evangelho Segundo o Espiritismo
O tema
de hoje é uma explicação sobre o que é, como foi feito e qual a importância do
Evangelho Segundo o Espiritismo, uma das cinco obras básicas decodificadas, ou
seja, reunidas de forma metódica e metodológica, isto é, lógica e com uma
repetição, uma constância, que é também o caminho feito pela Ciência para nos
trazer conhecimentos novos em várias áreas. São as áreas da Ciência: Ciências Exatas
como a Matemática, Física e Engenharia; Ciência Biológicas como a Biologia, a
Fisioterapia, a Enfermagem e a Medicina; e Ciências Humanas e Sociais como a
Sociologia, a Filosofia, a Comunicação, Educação, Psicologia e o Direito, que buscam
compreender o ser humano e suas relações sociais.
Essa decodificação
por Allan Kardec, que era um cientista no século XIX, reuniu psicografias de
diversas regiões na França e no estrangeiro. Elas tinham explicações em comum.
Essas psicografias foram realizadas por vários médiuns e espíritos que não se
conversavam em diferentes lugares. O Espiritismo é uma doutrina dos espíritos e
que não é absoluta de ninguém, mas de todos. Desde que o homem habitou o planeta
Terra e durante toda a história da Humanidade, homens e mulheres recebem
mensagens do plano espiritual.
Os
conceitos isolados caíram, caem e cairão por Terra em todas as religiões,
inclusive dentro do Espiritismo, ontem, hoje e amanhã. Porque a lógica e as leis
universais são únicas e imutáveis. Se é isolado, não é a corroboração, a
confirmação, a unanimidade de todos, não é um conceito verdadeiro. Os conceitos
compilados no Século XIX e, mesmo eles sofreram influência da sua época, só foram
aceitos em sua maioria e seguem aceitos, porque não contradizem as Ciências e a
lógica humana baseada na Ciência e não no próprio julgamento de valor.
O
Evangelho Segundo o Espiritismo foi lançado em Paris, capital da França,
Europa, em 15 de abril de 1864. Ele se inicia com uma carta psicografada,
assinada pelo Espírito da Verdade, que na própria carta ele diz ser “as virtudes
do céu” e não são qualquer virtude, são o “Espírito do Senhor”, ou seja, Jesus
Cristo, que é o Cristo cristão e governador da Terra para os espíritas e foi um
dos “Cristos”, espíritos muito evoluído, missionário, enviado por Deus, que
passou pela Terra, para trazer a boa nova ao homem. A carta diz que é chegado o
momento, pelo grau de evolução que se encontrava a Humanidade (o século XIX foi
o século das Luzes, em que a Ciência se desenvolveu muito em vários setores, e
a razão, o cérebro, se sobrepôs à fé chega, a Igreja Tradicional), de dissipação
das trevas, de iluminação do caminho e abertura dos olhos dos cegos, de confundir
os orgulhosos e glorificar os justos.
O que
isso significou e significa? Que o conhecimento trazido por vários espíritos,
de diferentes lugares, por meio de vários médiuns, que tinham uma essência em
comum em seus conceitos, iria fazer avançar os Conhecimentos que Jesus trouxe
por meio de uma linguagem figurativa, alegórica e mística, no papel de
Consolador Prometido pelo próprio Cristo e tiraria o véu, explicaria de forma
simples e objetiva os ensinamentos do Cristo contidos em seu Evangelho e
exemplificaria por meio de experiências de espíritos que sofreram na passagem ao
plano espiritual, por não terem vivido uma vida conforme a moral de Jesus.
A
introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo que se segue a essa carta inicial
é dividida em I. Objetivos desta obra, II. Autoridade da Doutrina Espírita, que
por sua vez, é subdividida em “Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos”,
III. Notícias Históricas, IV Sócrates e Platão, precursores da ideia cristã e do
espiritismo, com um subtítulo “Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão”. Esta
palestra pretende ser continuada em outras, uma vez que o tema traz muitos
conceitos, informações e explicações. Nesta palestra falaremos sobre os itens I
e II, ou seja, Objetivos desta obra e Autoridade da Doutrina Espírita, subdivida
em “Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos”, trazendo questionamentos
da nossa vida e do espiritismo atual.
Qual o
objetivo do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”?
O intertítulo
começa explicando que as matérias contidas no Evangelho de Jesus podem ser
divididas em cinco partes: Os atos cotidianos da vida do Cristo, os milagres,
as profecias, as palavras que serviram ao estabelecimento dos dogmas da Igreja
e o ensinamento moral. Na introdução é explicado: neste livro trabalharemos com
o “ensinamento moral”. Por quê? É justificado que seria infindável e cheio de
questionamentos trabalhar-se com todo o Evangelho. Segundo, o ensinamento moral
de Jesus é inconteste entre qualquer religioso e entre não religiosos. É dito:
“[...] A própria incredulidade
se curva diante desse código divino; é o terreno onde todos os cultos podem se
encontrar, a bandeira sob a qual todos podem se abrigar, quaisquer que sejam
suas crenças, pois nunca foi a causa de disputas religiosas, sempre e em toda
parte levantadas por questões de dogmas” (p. 11).
O Espiritismo
é uma religião não dogmática, alicerçada na razão e na Ciência, em todas as
épocas. A maioria antes e hoje nas religiões, cristãs e não cristãs, são mais
apegadas à parte mística do que à moral, que exige a reforma de si mesmo. O
ensinamento moral de Jesus “[...] é uma regra de conduta, que abrange TODAS as
circunstâncias da vida privada e pública, o princípio de todas as relações
sociais fundadas sobre a mais rigorosa justiça”. Isso é inegociável, a moral do
Cristo serve para TODAS as situações da nossa vida, não só para as que nos convém.
Como Espíritas,
portanto, e como Cristãos sobretudo, não podemos alegar ignorância sobre isso
se não agimos ou se, pelo menos, não tentarmos agir conforme os ensinamentos de
Jesus. “[...] É, enfim, e acima de tudo,
o caminho infalível à felicidade a ser conquistada”. Por isso, Jesus, como já
diziam as religiões cristãs tradicionais, é o nosso Salvador. Veio nos salvar
da nossa ignorância, da nossa falta de amor, do nosso orgulho, do nosso
egoísmo, dos nossos preconceitos, da dor, do sofrimento que são plantados em
nossas vidas por nós mesmos, pelas nossas ações. Deus, Jesus e os espíritos
superiores não fazem por nós, como por muito tempo e ainda hoje se acredita que
faz, mas sim nos ensinam o caminho que nós mesmos precisamos fazer.
A forma
como Jesus viveu, ensinou e exemplificou totalmente voltada ao amor era
contrária ao seu tempo, que pregava o ódio, a vingança, o justiçamento, isto é,
a justiça com as próprias mãos. A forma e a justificativa de Jesus ter sido torturado
e morto crucificado foram porque lutou contra os Romanos e Judeus, poderosos da
época, que dominavam e tinham privilégios em um sistema político, econômico e
religioso de regalias e de opressão aos pobres, às prostitutas, aos deficientes,
aos escravos e aos doentes. Estes últimos eram relegados às consequências do
preconceito e falta de amor dos Romanos e Judeus, como: à miséria, à fome, à
falta de assistência e direitos. Jesus era contra os costumes das pessoas da época.
Ele veio, por missão, trazer os ensinamentos universais pra que essas pessoas e
as que as sucederam nos próximos séculos, sensibilizadas, compreendessem e
praticassem e assim vivessem uma vida melhor, em uma sociedade mais justa e
feliz.
Pergunto:
2020 anos se passaram. As sociedades de hoje são tão diferentes da sociedade
daquela época? Se cada um de nós faz parte da sociedade, será que o problema é
só o outro? Nossos pensamentos e nossas ações na vida pública e privada estão
em conformidade com os ensinamentos de Jesus, resumido no amar ao próximo como
a si mesmo? Ou com o orgulho, o egoísmo, o materialismo e o preconceito dos
homens?
O
Evangelho Segundo o Espiritismo, quando vem trazer as explicações do
ensinamento moral e as exemplificações de quem não o seguiu, tem por objetivo nos
fazer refletir sobre nossos pensamentos e nossas ações sobre qualquer situação
da vida privada e social e nos reformarmos, tentar colocar em prática uma
virtude que ainda não temos, sempre alicerçada no amor ao próximo como a nós
mesmos. O ensinamento da moral de Jesus exige a reforma de si mesmo. É isso o
que mais interessa a Deus, não os cultos e ritos externos, que não tem proveito
para nossa mudança pra melhor. “[...] Essa parte é o objeto exclusivo desta obra”.
É evidencia a importância da leitura constante de O Evangelho Segundo o
Espiritismo por cada um de nós.
Admirar
só a moral evangélica não basta. É necessário conhecê-la, compreendê-la, deduzir-lhe
as consequências e tentar colocar sempre, todos os dias, todas as horas, todos
os segundos em prática.
Se Jesus
explicou esses assuntos por meio de parábolas e costumes da época, era para que
os conhecimentos fossem entendidos naquele lugar, por aquelas pessoas. Não
podemos tomar a palavra de Jesus de forma literal e não podemos tomar certos
trechos que vão contra o “amar ao próximo como a si mesmo” como regra. A bíblia
e o Evangelho, que está contido no Segundo Testamento, passou por diversas
traduções, financiadas ou feitas pela própria Igreja Católica e,
posteriormente, a Protestante, durante séculos, onde não se havia estudos científicos
que colocariam critérios às traduções. Assim, foram embutidos e anexados trechos
e livros que conformavam os interesses políticos, econômicos, sociais e
culturais da Igreja Católica e Protestante nas épocas.
Aliás,
recomendo a leitura da obra escrita pelo professor e teólogo, cientista,
pesquisador de Religião Barth Ehrman, que chefia o Departamento Religioso da Universidade
da Carolina do Norte nos Estados Unidos. O livro se chama: “O que Jesus disse. O que Jesus não disse. Quem
mudou a bíblica e por quê?”. Além disso, cada língua tem suas próprias
particularidades, há palavras, expressões e mesmo tempos verbais que não
existem em outras línguas. O que temos que ter em mente e o que nos interessa é
o conteúdo que não perdeu a sua essência, que é o amor! E o Evangelho Segundo o
Espiritismo trata e traz o ensinamento moral do Cristo que esteja conforme
isso.
Trata-se, reafirmo, como reitera a própria introdução deste
livro: os artigos reunidos nesta obra “[...] podem constituir um código de
moral universal, sem distinção de culto”, uma vez que há um consenso. (...)
Além disso, “[...] as máximas foram agrupadas e classificadas metodicamente
segundo sua natureza”.
No ítem
II. Autoridade da Doutrina Espírita – Controle Universal do Ensinamento dos
Espíritos fala-se exatamente sobre a obra ter sido ditada pelos espíritos, em
várias localidades, dentro e fora da França, por diferentes médiuns.
Interessante observar e serve uma reflexão para o Espiritismo que temos hoje no
Brasil, que nesta parte diz-se que a maioria dos médiuns preferiu não colocar
seus nomes. Então Kardec, junto com orientação da espiritualidade, não colocou
os nomes dos médiuns, uma vez que eles participaram do processo de forma
passiva, as ideias, na verdade, eram do Plano Espiritual, além de serem só
aceitas se tivessem sido ditas por vários e não apenas um médium. Está escrito
na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo: se os nomes dos médiuns
tivessem sido colocados, “[...] teria sido apenas uma satisfação do
amor-próprio, [ou seja, do orgulho e egoísmo], a qual não caberia, de maneira
alguma, aos médiuns verdadeiramente sérios”.
Então,
pergunto a vocês: por que hoje personaliza-se, ou seja, colaca-se nome dos médiuns
em livros espíritas? Por que valorizamos exageradamente este ou outro
palestrante como se as interpretações deles fossem as únicas? Neste ítem, é
dito: “Ora, ninguém neste mundo poderia ter a pretensão de possuir sozinho a
verdade absoluta”. Um conceito só é verdade se ele é aceito por todos por meio
da lógica e da Ciência e se as ideias são espalhadas por diversos espíritos e
médiuns, preferencialmente de centros e cidades diferentes. Neste intertítulo
ainda é dito:
“Deus quis que a nova revelação
chegasse aos homens por uma via mais rápida e mais autêntica; por isso
encarregou os Espíritos de irem leva-la de um pólo a outro, manifestando-se em
toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir sua palavra”. (...)
“O Espiritismo não tem nacionalidade, escapa a qualquer culto particular e não
é imposto por nenhuma classe da sociedade. (...) Era necessário ser assim para
que pudesse conclamar [ou seja, chamar, reunir] todos os homens à fraternidade”
(p. 13 e 14).
O Espiritismo
antes de tudo deve ser contestação, em tudo, como a Ciência é, afinal é uma fé
raciocinada é não é dogmático. E um conceito só deve ser adotado, se não for recebido
ou interpretado de forma isolada.
Outro
detalhe importante, escrito nesse intertítulo:
“[...] sabe-se que os Espíritos,
em consequência das diferentes capacidades de cada um, estão longe de possuir
individualmente toda verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios;
que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não
sabem mais que os homens, e até menos que certos homens; que há entre eles,
como entre os homens, presunçosos e falsos sábios que creem saber o que não
sabem, e sistemáticos que tomam suas ideias pela verdade; enfim, que somente os
Espíritos da ordem mais elevada, aqueles que são completamente desmaterizalizados,
são despojados das ideias e dos preconceitos terrestres. Mas sabe-se também que
Espíritos enganadores não tem escrúpulo de se abrigar sob nomes falsos para
fazer aceitar suas utopias. Disso resulta que, em relação a tudo o que fugir do
ensinamento exclusivamente moral, as revelações que possam ser recebidas por
essa ou aquela pessoa têm um caráter individual, sem autenticidade; que devem
ser consideradas como opiniões pessoais de tal ou qual Espírito, e que seria
imprudente aceita-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas”. (p.
14)
Isso
significa, que não podemos tomar toda e qualquer comunicação como verdadeira,
mas sim se estiver em conformidade com o ensinamento moral universal trazida por
Jesus, se passar pelo controle incontestável da razão, embasada na Ciência, o
bom-senso, mesmo que seja assinada por qualquer nome respeitável, isso está na
introdução, seja encarnado ou desencarnado. Não é a razão por meio do próprio
julgamento, dos próprios valores de um indivíduo, mas a razão que passa pela
moral cristã e pela Ciência atual. Isso serve para comunicação dentro da casa
espírita e em outras religiões, serve para livros espíritas psicografados ou
não, seja quem for o médium, serve para palestrantes e oradores religiosos. É
dito:
“A concordância no ensinamento
dos Espíritos é, portanto, o melhor controle. (...) A única garantia séria do
ensinamento dos Espíritos está na concordância entre as revelações feitas
espontaneamente através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos
outros, e de religiões diversas. (...) Portanto, se apraz a um Espírito (ou
seja, se um Espírito tem a intenção, a vontade) de formular um sistema excêntrico,
baseado em ideias só suas e fora da verdade, pode-se estar certo de que esse
sistema ficará circunscrito, e tombará diante da unanimidade de instruções
dadas em outros lugares, como já demonstraram numerosos exemplos. (...) Esse
controle universal é uma garantia para a unidade futura [ou seja, Século XX e XXI
já é o futuro, assim como os próximos] do Espiritismo” (p. 15 e 16)
Aqui,
fica evidente o ensinamento universal da moral e a convergência, a relação, do
espiritismo, neste quesito, com a essência de todas as religiões. Ou seja,
todas elas, no fundo, estão com a verdade. Mais uma vez, o Espiritismo, tomando
como base o ensinamento moral da fraternidade, não critica, mas exalta a importância
de todas as religiões. Todo ensinamento novo só nos é revelado, ao espiritismo
e às outras religiões, quando estivermos maduros para compreendê-lo.
Leiam O
Evangelho Segundo o Espiritismo. Nele contém a explicação objetiva sobre os
principais ensinamentos morais de Cristo e que serve como regra de conduta na
nossa vida pública e privada. Começa na leitura, reflexão, compreensão,
autoconhecimento e, por fim, na tentativa real de mudança de pensamentos e de
ações em conformidade com as leis do Cristo.

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