Bem-aventurados os pobres de espírito
(Esta palestra, de minha autoria, foi proferida em 18/04/2022 no
Ontem
foi Páscoa. Quero falar sobre essa data cristã como um desdobramento para um
tema importantíssimo a quem se pretende cristão e cristã, a Reforma Íntima.
Para
isso, vou passar rapidamente pelos principais acontecimentos relatados sobre a
vida de Jesus. Jesus nasceu, filho de um pai carpinteiro, José e Maria, em uma
estrebaria, ou seja, entre os animais e foi colocado numa manjedoura. Para quem
não sabe, a manjedoura era o cocho onde se alimentavam os animais. O rei dos reis,
o príncipe dos príncipes, não nasceu em um palácio, de pais nobres ou da
realeza, nasceu de maneira humilde, no lugar, pelas pessoas mais simples,
exemplificando sua máxima Bem-aventurados os pobres de espírito, pois é deles o
Reino dos Céus.
Vamos
então para seus últimos três anos. Jesus começa a pregar no Sinédrio, a
sinagoga matriz dos Judeus em Jerusalém para os chamados Doutores da Lei, os fariseus.
Era questionado, de propósito, irônica, hipócrita, arrogante, orgulhosamente
por eles. E sempre os desmascarava, respondendo simples e humildemente, exemplificando
mais uma vez: Bem-aventurados os pobres de espírito, pois é deles o Reino dos
Céus.
Quando
Jesus curava, apesar de ter um poder gigantesco consigo, ele sempre humildemente
dizia com fé, gratidão e sem esperar nada em troca: Agradeça a Deus, foi Ele
quem te curou, vá e não peques mais. Uma vez mais exemplificou: Bem-aventurados
os pobres de espírito, pois é deles o Reino dos Céus.
Quando
Jesus foi preso, justamente por ser muito mais do que todos, mas ainda assim
humilde. Justamente por desafiar o sistema político, econômico, cultural e
religioso não só da época do Império Romano, mas o do porvir, porque Jesus, seu
legado, seu exemplo, continuam desafiando as sociedades até hoje e seguirá. Porque
sua palavra como representante das Leis Divinas é eterna, servindo a qualquer
tempo, povo, a qualquer época. Jesus se manteve altivo na escolha do povo pelo bandido
Barrabás. Na cruz, mais tarde, ele diria: Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem.
Ele tinha plena consciência dos seus valores universais, sem forçar o amadurecimento
de cada um para essa consciência, que viria no tempo certo de cada um e de
Deus. Deu novamente o exemplo: Bem-aventurados os pobres de espírito, pois é
deles o Reino dos Céus.
Na
sua tortura, Jesus manteve a altivez, com humildade, sofrendo, mas com bom
ânimo de que aquele calvário também iria passar. Exemplificou: Bem-aventurados
os pobres de espírito, pois é deles o Reino dos Céus.
Deu,
na cruz, a maior prova humilde de Renúncia às tarefas nobres que estava fazendo
em um plano onde não existe dor, para mergulhar na Terra, onde as nuvens negras
ainda predominam devido ao pensamento da maioria. Renúncia por amor a todos nós,
seus irmãos, ainda bastante falíveis, nem completamente bons, nem
conscientemente maus. Ficou entre dois bandidos na cruz e diante do
arrependimento de cada um deles, prometeu-lhes o céu, destino de todas as
ovelhas, porque nenhuma delas se perderá. E se consagrou Salvador da Humanidade:
aquele que nos salva diariamente do sofrimento com seus exemplos de amor que
devemos tentar seguir sempre. Bem-aventurados os pobres de espírito, pois é
deles o Reino dos Céus.
Por
pobres de espírito já notaram que Jesus se refere aos humildes em contraposição
aos orgulhosos. O termo “pobre” pode ser uma falha de tradução do texto no idioma
original até chegar na Língua Portuguesa, muitas vezes não é uma tradução
direta o que temos. Jesus usou da caridade a todo momento, caridade com os
animais, nossos irmãos que também estão em evolução, caridade com o fariseu
arrogante e ignorante, que também está em evolução, caridade com o povo que
preferiu o mal ao bem, também estão evolução, caridade com quem o torturou, com
quem o colocou na cruz, também estão em evolução. Ele nos disse em Mateus (20,
20-28) Quem quiser ser o maior, seja aquele que vos serve.
Precisamos
acordar para nosso propósito maior aqui na Terra. Somos convidados a sermos
melhores todos os dias tendo como modelo Jesus Cristo. Somos convidados a
alimentar uma virtude: a paciência, a tolerância, a fé, a compreensão, o
estudo, o perdão, a resiliência, consequências da caridade que é o amor agindo.
Somos convidados a nos desapegar de nossos defeitos, todos frutos do orgulho,
se achar e se colocar como sendo mais do que é, e do egoísmo, querer tudo pra
si, não compartilhar, não dividir.
Jesus
falou “Tenho-vos dito isto para que em mim tenhais paz; no mundo tereis
aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. – João (16, 13)
Importante
destacar essa frase: “Eu venci o mundo”. Jesus venceu o mundo e não no mundo. É
isso que ele espera de nós como propósito maior. Precisamos do mundo material
como instrumento de transformação para o bem nosso e do próximo. Mas a vida
espiritual precisa se sobrepor à vida material. Não importa onde você trabalha,
a profissão que você exerce, não importa o tanto de bens que você tem. Se você
não buscar “vencer o mundo” você está desperdiçando a oportunidade de evoluir
nesta reencarnação. Vencer o mundo exige humildade, porque assim como o Cristo
encontrou a chibata, caminhar contra o que prega o mundo como certo, é receber
a chibata. Sofrer aflições em nome do Cristo é lapidar o diamante bruto que
temos dentro de nós. E a recompensa, disse o Cristo, é a paz. Tende bom-ânimo,
a luta é árdua, mas é grata. Bem-aventurados os pobres de espírito, pois é
deles o Reino dos Céus.
Jesus
é nosso maior modelo e guia!

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